“Não tenho capital para arrancar” é uma das razões mais citadas para não avançar com um projeto. Em muitos casos, é uma razão legítima. Noutros, é falta de informação sobre os apoios que existem e que estão desenhados especificamente para situações de arranque.
Portugal tem um ecossistema de apoios ao empreendedorismo mais robusto do que a maioria dos empreendedores conhece. O problema é que a informação está dispersa e as candidaturas têm requisitos específicos. Este artigo reúne os apoios mais relevantes para micro negócios e pequenas empresas em arranque.
O Instituto do Emprego e Formação Profissional tem medidas específicas para pessoas desempregadas inscritas que pretendam criar o seu próprio negócio.
Apoio à Criação do Próprio Emprego (CPE)
O que é preciso para candidatar:
Este é um dos apoios mais acessíveis para quem está desempregado e é frequentemente subutilizado por falta de informação.
O Portugal 2030 é o quadro de fundos europeus em vigor até 2030, com diversas linhas de apoio ao empreendedorismo e inovação.
Os programas mais relevantes para pequenas empresas incluem apoios a:
Nota importante: Os apoios do Portugal 2030 destinam-se geralmente a projetos com investimento mínimo relevante e empresas já constituídas ou em vias de constituição. Para negócios muito pequenos no início, podem não ser a via mais rápida.
O ponto de entrada é o Balcão 2030 (balcao.portugal2030.pt) e os organismos intermediários (IAPMEI, Turismo de Portugal, CCDR regionais).
O microcrédito destina-se a pessoas em situação de exclusão financeira que não conseguem aceder ao sistema bancário convencional.
CASES / Associação Nacional de Direito ao Crédito (ANDC)
Millennium BCP / CGD / outros bancos com protocolos IEFP
Linhas de crédito bonificado para criação de empresas, frequentemente em articulação com o IEFP.
Para projetos com potencial de crescimento rápido, inovação tecnológica ou escalabilidade, o ecossistema de startups oferece:
Estes mecanismos são mais adequados para projetos tecnológicos ou com escalabilidade clara. Para negócios de serviços locais ou micro empresas tradicionais, a via IEFP / microcrédito é geralmente mais adequada.
A resposta depende de três variáveis:
| Situação | Via recomendada |
|---|---|
| Desempregado inscrito no IEFP | CPE + apoio técnico do Centro de Emprego |
| Negócio local/serviço, pouco capital | Microcrédito ANDC |
| Projeto de inovação / tech | Incubadora + Portugal 2030 |
| Já tem empresa constituída, quer crescer | Portugal 2030 / linhas PME |
O financiamento raramente é o verdadeiro obstáculo. O que frequentemente falta é um plano de negócio sólido — que é requisito para praticamente todos os apoios. Invista primeiro no plano, depois procure o financiamento adequado ao seu perfil e projeto.
No próximo artigo, tratamos de um aspeto prático e muitas vezes adiado: a forma jurídica certa para o seu negócio e como avançar com o registo.
→ Artigo 6: Forma Jurídica e Registo – ENI, Lda, Cooperativa — O Que Escolher e Como Avançar
PS: Este artigo é parte da série Criar o Seu Próprio Emprego. Não deixe de ler os restantes artigos:
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