Empreender é, antes de mais, um projeto pessoal. O negócio vai depender das suas decisões, da sua energia, da sua capacidade de lidar com incerteza. Por isso, o autoconhecimento não é um exercício de desenvolvimento pessoal opcional — é uma ferramenta de gestão de risco.
Conhecer os seus pontos fortes e os seus limites reais não serve para o dissuadir. Serve para construir o negócio à medida do que é, e para saber onde vai precisar de reforço.
Existe o mito do empreendedor nato: extrovertido, tolerante ao risco, visionário, incanssável. A realidade é que há negócios bem-sucedidos geridos por pessoas com perfis muito diferentes. O que importa não é corresponder a um arquétipo, mas perceber qual é o seu estilo e como esse estilo vai influenciar as escolhas que fizer.
Há empreendedores que prosperam na incerteza e há outros que constroem negócios sólidos precisamente porque gostam de estrutura e processo. Ambos os perfis têm lugar — desde que sejam honestos sobre o que são.
Faça este exercício antes de avançar. Para cada área, avalie honestamente onde está:
Competências técnicas (hard skills)
Competências de gestão
Competências relacionais e comerciais
Não há respostas certas. Há um mapa do terreno.
A motivação inicial importa porque vai ser testada. Os primeiros meses de um negócio raramente correm como planeado, e a motivação é o que mantém o projeto em movimento quando os resultados ainda não chegaram.
Não há uma resposta certa sobre quanto risco assumir. Há uma resposta honesta sobre quanto consegue gerir sem que isso comprometa outras áreas da sua vida. Um empreendedor que conhece o seu perfil de risco toma decisões mais ajustadas — e não precisa de heróis nem de imprudências.
Nenhum empreendedor de sucesso fez tudo sozinho. Os que reconhecem cedo onde precisam de ajuda poupam tempo e dinheiro.
Este exercício não tem de ser perfeito. Tem de ser honesto. Um negócio construído com base num autoconhecimento real tem muito mais probabilidade de sobreviver ao primeiro ano do que um projeto entusiasta que ignorou os sinais de aviso.
→ Artigo 3: O Modelo de Negócio — Do Canvas à Proposta de Valor
PS: Este artigo é parte da série Criar o Seu Próprio Emprego — 9 Passos do Sonho ao Negócio. Não deixe de ler os restantes artigos:
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